segunda-feira, 30 de maio de 2011

PRESENÇA FEMININA NA CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO

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CONSULTORIA E TREINAMENTO

MARIA HELOIZA MAGRIN, 47 anos, é casada e tem duas filhas. Sua família é seu porto seguro, sempre a incentivando e facilitando seu caminho profissional. Ela trabalha há sete anos no grupo de empresas de Transporte Urubupungá, ocupando o cargo de coordenadora de sistemas, e atua na área de informática desde a década de 80. Nas horas vagas dedica-se à leitura e à jardinagem, além de ter publicado seu primeiro livro no ano passado (Guia do Profissional Linux).

Leia entrevista ao C&T Jovem.


Qual a sua formação?

Me formei em Desenho Industrial em 1981 pela Fundação Armando Alvares Penteado - FAAP em São Paulo. Ingressei no curso superior na Universidade Estadual Paulista - UNESP de Bauru, onde cursei dois anos e depois, por opção pessoal, me mudei para São Paulo e transferi o curso para a FAAP. Fiz muitos cursos nestes anos todos, uma média de 5 cursos ao ano, inclusive em Austin (Texas – EUA), onde morei nos anos de 1984 e 1985, e iniciei o mestrado em computação gráfica na Universidade Estadual de Campinas - Unicamp (fiz as matérias mas não concluí, ou melhor não defendi a tese por problemas profissionais). Fiz também toda a formação DBA Oracle e mais de 200 horas de cursos de Linux. Nos últimos 6 anos tenho me dedicado ao estudo de Análise de Sistemas, Oracle e Linux por acreditar muito nestes dois produtos e também tenho lido, feito cursos e muitos treinamentos de desenvolvimento de liderança e suas competências.


Como surgiu o seu interesse por essa área?

Desde a infância gostava e me interessava muito por ficção científica e tudo que era ligado a ciências de uma maneira geral. Iniciei na área de informática através da computação gráfica mas, como no início dos anos 80 não havia quase espaço nessa área no Brasil, principalmente para mulheres, e para saber computação gráfica tem que dominar computação de uma forma geral, as oportunidades que me foram surgindo foram mais na área administrativa e médica. Com isso, fui me desenvolvendo em informática, aprendendo várias linguagens e sistemas operacionais, assim como diferentes áreas onde a informática pode contribuir. Também adoro ensinar e me dedico ao ensino desde 1981 em diversas entidades, pois, sinto que só assim, passando adiante o que aprendo, irei perpetuar o que sei.


Como é seu trabalho?

Hoje atuo como coordenadora de sistemas de um grupo de empresas de transporte de pessoas formado pelas empresas Auto Viação Urubupungá Ltda, Viação Santa Brígida Ltda, Urubupungá Transporte e Turismo e Viação Cidade de Caieiras. Coordeno uma equipe de desenvolvimento e implantação de sistemas específicos para a área de transporte, incluindo sistemas de apoio à bilhetagem eletrônica e controle de frota além dos sistemas administrativos. Sou responsável por pesquisar e trazer para a empresa novas tecnologias que sejam aplicáveis ao negócio e à realidade da empresa, assim como sistemas de apoio a decisão da diretoria. Além disso, me dedico a escrever sobre informática. Publiquei meu primeiro livro no ano passado (Guia do Profissional Linux) e estou escrevendo um segundo que espero publicar ainda este ano, um livro também de Linux para quem quer começar no Básico e tirar uma certificação, um livro bem mais completo e detalhado, também com o apoio do Luis Matos e Luiz Afonso da Editora Digeratti e do meu diretor na Urubupungá Sr. Flavio Mesa Campos, que sempre me apóia e me incentiva tanto dentro das empresas com nesta aventura de escrever.


Como é trabalhar em um setor onde sempre houve uma predominância de homens?

Nunca sofri discriminação, ao contrário, sempre encontrei pelo meu caminho pessoas, fossem elas homens ou mulheres, que me incentivaram a continuar e a crescer. Sempre estive em ambientes de predominância masculina, mesmo porque nos anos 80, quando comecei não haviam muitas mulheres no mercado de trabalho. Acredito que o profissionalismo está acima de tudo e saber se comportar, se impor, não ligar para piadinhas e fingir que não escuta alguns comentários, principalmente levar tudo na esportiva sem deixar que estes ruídos influenciem nas suas decisões e no caminho a trilhar para alcançar as metas que nos colocamos é que nos faz crescer e alcançar nosso objetivos.


Que conselhos você daria às jovens que gostariam de ingressar na informática?

Que realmente amem o que se propõem a fazer, não se iludam por falsos marketings que atribuem facilidades e algum glamour à área, pois esta é uma área que exige constante dedicação, empenho e contínua busca por novos conhecimentos. O conhecimento que você domina hoje já estará ultrapassado daqui a poucos meses e novas técnicas surgirão de modo que irão substituir seu conhecimento atual. Portanto, se não houver mesmo muito amor pelo que faz, será penoso. Com paixão tudo fica mais fácil. Além disso, procurem fazer um bom curso, de preferência numa instituição de primeira linha, se relacionar com pessoas que possam orientá-las e estar sempre atualizada, tentar estar à frente, isso faz a diferença.



(Márcia Nagai Anno/C&T Jovem/ 06/05/05)